quarta-feira, dezembro 17, 2008

o reveillon de pc.

hoje, acho que decidi. pela 4ª vez, talvez. e é difícil garantir que será a última, eu sei. há o risco de gargalharem. tudo bem. há o risco de mais uma vez, bêbado, me surpreender com um bom motivo pra ligar. há o risco de ter me tornado, afinal, o fraco que me assombra. mas há sempre, não é? um risco. não há, sempre um risco? na verdade, foi ele que nos trouxe até aqui, mesmo que você não se dê conta agora. riscos de diversos tipos e maneiras. mas vamos reduzir o infindável grupo, e escolher cada um, um risco como ponte, como veículo, até esse aqui-agora, esse em que você está, e que evoca o momento em que eu estava, quando escrevi este prenúncio de ano-novo. eu escolho ter arriscado saber das coisas. você não pode interagir tão intensamente assim, então seu risco-ponte pode ser ter entrado aqui e arriscado seu precioso tempo numa leitura que poderia ser mais uma pseudo-literatura escrota em meio ao imenso mar escroto que embala nossas idas e vindas web a dentro - e pode ser que seja mesmo. desculpe, eu não me apresentei. me chamo pc, e escrevo aqui de vez em quando, pra desanuviar. eu tava falando sobre decisões, sobre resoluções, e sobre o quão elas começam sinceras, mas tem a tendência de nos fazerem idiotas, ou mentirosos, depois. mas o ano novo se aproxima, ouvi uma garotinha comentando na vila hoje. todos estão fazendo votos, mantrando planos, definindo resoluções pro ano que vai nascer... e apesar de são bukowski com certeza desaprovar, eu vou decidir algumas também, que eu vou tentar - juro por maria madalena -, algumas coisas que dessa vez eu vou tentar cumprir, dessa vez vou. sei que falar 'dessa vez' te inspira pouca confiança, mas tenho um argumento a meu favor: hoje, algo realmente mudou. sim, hoje eu não estou só sangrando por dentro. hoje, mesmo estando na prateleira, eu realmente passei a querer que isso acabe. pode rir. este detalhe, dizem ser o primeiro passo, e a gente nem sempre quer a direção que toma, mesmo isso sendo meio paradoxo. então, ok. (fôlego...) eu quero que no próximo ano, logo no início, ela saia pela porta dos fundos, sem fazer barulho. que ela seja feliz - o que evidencia a maturidade deste meu momento. e ela provavelmente vai ser mais feliz mesmo, com alguém menos andarilho, menos bêbado, menos romântico, menos inquieto, menos dela, menos cara-metade, alguém assim... menos eu. vou sair agora e comprar minha garrafa azul - tenho economizado as gorjetas do lava-rápido. vai ser assim: vou aguardar os primeiros fogos, fechar os olhos, e dar 3 goles(um pro são-meu-instinto, um pra xangô, e um pra ela). depois disso... as coisas vão mudar por aqui. eu decidi.

domingo, dezembro 14, 2008

one of a kind

- me mostra.
- vai embora.
- não.
- vai ou eu te apago.
- assim?
- assim.
- e acaba assim?
- assim.
- você não me apagaria.
- por que não?
- por que não sou só eu aí. você não se apagaria tanto assim, só por minha causa.
- ah, não?(levando as mãos à cabeça)
- tira a mão daí.
- estou prendendo o cabelo.
- afasta as mãos das têmporas!
- fala baixo!
- me mostra e eu vou, eu sigo.
- ele não tá aqui.
- então fala dele.
- ah, não fode! (trago)
- você pegou de volta? não é mais meu?
- (fumaça, e outro trago)
- brotava aí sempre que você me via.
- você não está mais vendo, está?
- e agora é dele?
- talvez.
- talvez não serve.
- é o que eu tenho pra você.
- você fala como se não soubesse.
- não soubesse do que?
- que no fim a gente vai ficar junto.
- eu estou apaixonada por ele.
- o seu olhar pra ele. se eu ver que agora é dele, eu...
- e quando vir?
- eu vou entender que pode mesmo ter sido só um esbarrão casual, a nossa história. que eu to errado. e aí eu te apago também.
- mentira.
- talvez.
- talvez?
- pensando bem, mentira sim.
- você mentiu?
- sim, eu não entenderia. e não te apagaria, na verdade.
- porque não?
- não é o que eu quero.
- e desde quando você sabe o que quer?
- sempre soube o que eu não quero.
- cala essa boca.
- e acho que eu quero você.
- você acha...
- você toma como pessoal?
- sim, e instransferível. enquanto você brinca de se encontrar, você tem eco aqui! dói, seu idiota egoísta!
- ...
- ... você quer falar algo mais?
- não me deleta. eu to aprendendo...
- aprendendo o quê?
- a gente, a dimensão disso, dessa pausa. não quero mais. a pausa. não quero mais a pausa.
- too late, my boy...

(reset)