até então, nada era cor. não tinha arco-íris, nem varanda. tinha peão, e pique, mas sem as risadas, e os estalos de pé corrido no chão. tinha corda, e feriado. mas era mudo. como filme antigo, sem os ecos de passarinho e sem grito do moço do algodão doce no portão. antes daquela esquina de boca, do perfume de apagar cigarro, não tinha domingo. tinha o dia. mas não o fresco, nem o assobio. e então, na dança de narizes, a pele de água. e de repente tudo, e mais. e nós. tão paladar. tão rolar de ribanceira em grama boa, tão fruta. e isso, que não se sabe som. banho de doce, de mão morna no rosto. fogo no forro de si. tão fogo e tão forro, que meu. tão meu e dela, tão nosso, que dor. dor demais. não deu.
pedi pro vento outra chance, outro alcance. outro eu.
um que não chegue atrasado. um seu.
segunda-feira, janeiro 21, 2008
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Um comentário:
do perfume de apagar cigarro,
e então, na dança de narizes, a pele de água
pedi pro vento outra chance, outro alcance. outro eu.
um que não chegue atrasado. um seu.
carregado de poesia, vivo isso, lindo.
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