quinta-feira, fevereiro 07, 2008

- está tudo tão ... diferente.
- é. engraçado.
- não acho tanto.
- eu também não. você sabe.
- de onde ?
- de onde o quê? olha pra mim.
- de onde vem?
- de dentro, acho.
(silêncio de quase 46 segundos) o que você acha que mudou mais?
- os silêncios. já escrevi sobre eles sendo coisa boa, lembra?
- não. me passa o cigarro

(continua)

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

não sou aquela que você criou. uma eu menos forte, mais flácida e infantil te espera aqui. mas tua, completamente tua, desde que entraste em minhas madrugadas com tua barba e colônia. não, eu não leio tuas entrelinhas. sim, me escapam teus duo-sentidos, teus suspiros, mesmo que as vezes antecipe teu tabaco, teu café, teu cafuné. nem sou fatal, era só mistura de uma fenda de vestido e cosmopolitans do Atlântico. isso é de escorpião. pois bem, se não tem nada nesse retrato que te chame, que te inflame: c'est la vie. não tente. se não é, não invente. tem que ser essa, a tua fome, teu paladar. porque é nesse retrato que eu me pinto íntima. é dele o meu reflexo mais presente. insegura, bipolar, míope, entediante aos domingos e muito ácida nas 3 primeiras horas do dia, mas... entregue. resignada e entregue ao amor. sou também essa que quase gosta do gosto desarrumado dos teus dias sem volta, de tuas noites sem nota. essa que não quer te salvar de ti, nem a si mesma. tu morrerias de qualquer maneira. e eu também. aceito esse furo no peito, e olha, coloco nele um sorriso, e algumas flores. são narcisos, você gosta? um dia serão rosas. me agradará o salgado de uma lágrima outra, mais macia. me afagará tê-lo sem ter, pra tê-lo todo. já me excita domar-me a dor. viu? sou filme, sou close. e graças à ti, jorra meu blog. você me rasga, mas agora posso olhar lá dentro. agora vai. não fala nada. limpa esse batom, e vai.
Ok, I don't know much about... anything. But I... I have the... the sweetest nothings to say!

segunda-feira, janeiro 21, 2008

levantei sem acordar
e tropecei.
no sonho, na gente,
em você
ainda em meu hálito, nos meus olhos em brasa

escovei o rosto, lavei os dentes
café

e você
grudada na manhã

na minha manhã

insistindo

invadindo
voltando

estando em lugar
de onde já foi embora

atrasado

até então, nada era cor. não tinha arco-íris, nem varanda. tinha peão, e pique, mas sem as risadas, e os estalos de pé corrido no chão. tinha corda, e feriado. mas era mudo. como filme antigo, sem os ecos de passarinho e sem grito do moço do algodão doce no portão. antes daquela esquina de boca, do perfume de apagar cigarro, não tinha domingo. tinha o dia. mas não o fresco, nem o assobio. e então, na dança de narizes, a pele de água. e de repente tudo, e mais. e nós. tão paladar. tão rolar de ribanceira em grama boa, tão fruta. e isso, que não se sabe som. banho de doce, de mão morna no rosto. fogo no forro de si. tão fogo e tão forro, que meu. tão meu e dela, tão nosso, que dor. dor demais. não deu.

pedi pro vento outra chance, outro alcance. outro eu.

um que não chegue atrasado. um seu.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

pré-música 1ª

de tanto tato
e cheiro
e gosto de flor,
me afoguei

suspiros
e ontens
não quis nadar,
não quis nada
pulei

no reflexo d'água borrão
colorido, bonito
deixei

ê sereia
de asa
da mata

toma esta garrafa
bebe a carta

fui eu quem mandou

me levar (te letrar)
me leva

pro mar que chorei

que jorrei
me valei
se faz lei

se chegar
eu cheguei

terça-feira, dezembro 11, 2007

do osso torto do peito

eaqueleestrondoúmidoagudoescritoàspressasnotaltecladosemacentos
se mbatoms emcaminh o
re verb erou u
do ossotorto dopeito até a3ª vértebra lombar. minha L3.
cismado d azia sísmica e verbal ainda fresca, gof o vermelho tonteado

mas me cansei. não gosto de tv.
fui à praia.

segunda-feira, outubro 08, 2007

oquenãocabe - fragmento 1

esse eu à deriva em mim
tem rosto efêmero
e bússola quebrada

tem lacunas (que suspiram sempre)
e manias de silêncio
nesse eu à deriva em mim
sobra sangue
mas falta corpo

e a cada rasgo
na carne pouca

essas sobras
essas sobras
essas sobras
essas sobras
essas sobras
essas sobras
essas sobras

terça-feira, novembro 14, 2006

tonteira

eu que de mim já não sei
e cego tateio
e
teorizo

que me mato, me bato, debato
farto da falta, da chuva,
do ciso


eu que me pulo
eu muro
me procuro no murro em faca de ponta


pauso
na estante
pouso um instante

e ainda não cessa
essa dança tonta

sexta-feira, novembro 10, 2006

autobiograf.agia

calando ando
calado lendo
cala doendo minha autobiografia.

calendário (ou, caleidoscópio).

C'um copo d'ópio dopo
Calo dois corpos voz
Cá: lendária cópia
Lá: mente atroz

quarta-feira, agosto 09, 2006

Quanto menor e mais inofensiva cada transgressão
mais próximo se está da total subversão.
Um louco se faz paulatinamente. Ou...
Um homem se liberta aos poucos da loucura onipresente.

segunda-feira, julho 17, 2006

reflexão

leva isso,
......................leve ..................................longe

onde nada pareça quase

meio antes
qual sem fim

segunda-feira, junho 05, 2006

chave

apesar do mar
a domar
amar cada

marca da
maré
a pesar

ampulheta

num dia
eu rimo com vento, minha métrica é de vôo, de asa, de salto...
no outro
meus ossos gaguejam só de brisar e, o mesmo som antes perfeito
estilhaça cada vidro ao redor

exceto o espelho

terça-feira, maio 30, 2006

inércia

adias há dias
...
...
que saída,
a fé rarefeita ?

quiçá ida à fera refeita !

segunda-feira, maio 22, 2006

anti

A três passos do nada, o tempo é ultrapassado.
sua idade, o calendário, aquelas fotos...

todos os seus “se...”,
seu contorno,
a correta conduta e o equívoco,
o motivo ... palhaçada.

Toda essa precaução paralizante
revela-se frágil.

aqui
exerce-se o gerúndio e seu trampolim.
Tudo outro vale quinquilharia, apenas faixas de isolamento.

sim, a dois passos do nada, as mentiras sinceras, o “não sei”, Nietzsche e principalmente a contradição, são inocentados
mais,
são desejados,
e desmentem a memória opaca, o histórico.
Não só perdem o ranço desagradável como pintam de lacunas as paredes e o teto, e pintariam também o chão, se houvesse.

Nesse quadro, as verdades, ficam antes da porta.
Os lamentos, antes ainda, no mesmo cômodo 3x4 onde martelam-se as bússolas.

De nada servem suas marcas de expressão, a moral herdada, ou esse texto.
Ele também é julgo,
e aqui, a um passo do nada, calaria ainda dentro do olho, cegaria a lâmina língua.

Toda a árdua experiência acumulada
gargalha de si,
sabe-se idiota.

é justamente aí que o nada se revela,
abraçando
a totalidade
da extensão
desse corpo
ridiculamente
maravilhoso

na prima-fonte, pode-se ver as rugas sumindo,

o rubor saudabilíssimo,

a pele esticar,

esgarçar,

rasgar-se em luz

e potência



agora,
é-se demais pra um corpo

terça-feira, maio 16, 2006

o medo só corre
socorre

terça-feira, abril 11, 2006

pré-manhã

teto parede
armário
porta

travesseiro
saliva
janela
parede


relógio
suspiro
coberta chão
gelado

maçaneta tapete
torneira
água.

quarta-feira, abril 05, 2006

pouso.

a garça pousou no tronco
e o ronco da serra cessou
o silêncio abriu o acesso
para a ave que a sombra criou

terça-feira, abril 04, 2006

sobressalto.

minha nau não navega a vento
o que sopra é o que sobra de tudo
sobre o salto pro fundo de mim
fala um mundo que jazia mudo

matura.

me folheei, e não há resposta
não achei índice, nem manuais
quebrei, e o grito não cala
e nem o espanto nos cabe mais

domingo, março 12, 2006

rasura.

rasura
pena de morte
o raso afoga a tinta
procura cego o pincel
de um quadro que não se pinta

garganta.

gota rôta
em rota reta
contornando a forma posta
um disfarce de concretude
pra efemeridade exposta

sábado, dezembro 31, 2005

o nada


não é


permitindo ser


um copo de estar


não de corresponder

segunda-feira, agosto 01, 2005

ego gruta em mim.

me rasga uma gana de pano.

o vício por an-seio lacúnico germinou-me logo cedo semi-ações e quase-coisas.

vesti-me de bem-aventurança oca, asteei bandeira de trapo, assisti meu orgulho ventear alturas...


numa tarde, ouvi o espelho rir. era o inverno batendo à porta.

num feixe,meus pássaros cruzaram o quarto calados e partiram pela janela fechada.
Antes da travessia, um último presente: abandonaram voz em minha garganta.


eu,

que há muito havia amordaçado qualquer gula pessoal

eu,

que tantas vezes milagrei saciando olhos coroados com bússola de mim

eu,

como que num tiro, fui fonado pelo desvirgínio:

um Urro - desses semeados desde murmúrio - espreguiçou, caminhou até uma extremidade de mim folegando e explodiu !

cataclisma , imensar de horizonte, fibrilar de terra firme.
descárcere !

dói-me essa chave sonora

agora, em frequência luz, furta-me os olhos ainda embebidos
em fotofobia e os dá de presente ao chão


lágrima:
o início do sincerar da égruta em mim.

quinta-feira, julho 28, 2005

perspectiva idosa

tempo: ente que acelera o em torno

quarta-feira, março 02, 2005

visita matinal

Um sorriso tateou-me logo cedo, talvez seguindo pétalas de um rastro de sonho. desencontraram-se. na boca, o berço-lábio, instalado bem no meio da minha cara. dois ou três segundos... palavra. sonâmbula. sussurrada. e sua. afinal é da musa o que ela inspira:

"polegares entrelaçados alando a retina acostumada. asas-mãos espreguiçando a distância, essa métrica comprida , doída" - eu falei.

"ahn?" - você diria.

Como, ahn?!? não te reconheces? é o dedilhar de tuas linhas, contornos! música original e virgem de teu instrumento! ouve:

"riarei até o céu as notas perfeitamente descompassadas deste duo cardíaco,

nascente, cresceNTE. retrilharei em mãos e boca o caminho da pena inspirada"

Ah, minha vertigem branca...
proesia nada petita embargar nuvens lúdicas em domingo aberto! é você o sonho! você!

volta sempre, viu?
que meu sorriso, eu quero esse.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

flor menina

Flor Menina

das pétalas tímidas,
das maçãs que florescem rosas

rubor que hipnotiza, catarsea
eterniza

Flor Menina do abraço que amanhece
do lábio que salta o tempo

folhas imãs que abrigam, transcendem
religam

Flor Menina

do beija-flor amigo,
da madrugada primaveril

tuas pegadas norteiam o vento, acendem o céu -
paleta estrelada

Flor Menina da voz macia, da presença que acaricia
enraiza-se uma saudade, que não cessa

E quem diria ?

sábado, fevereiro 12, 2005

ah ... o céu

As estrelas me transbordam,
me absurda a lua nua,
pôr-do-dol me entorpece,
a aurora me flutua.

Arco-Íris - raro instante!
banho-chuva religia
sob o ceú sou um infante
a brincar e ver magia

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Alguns poetas me versam tão fielmente
que me fazem déjà vu.

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

frio na barriga

ah !
... elas ainda vivem ! !


apesar de tudo, de tudo ...
lá estão as borboletas !


e suas asas continuam a deslocar o vento ...
aquele ...
esse, esse !

encanta-te flauna , extasia-nos
cada infimo fio continua a se arrepiar e embeber-se em boa e perfumada dose de hesitação


tolo solo ...

mortas estavam as sementes.


(inapropriadas talvez)

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

almejo

Reencontrar quem nunca vi
re-habitar novo lugar
Ouvir-me em voz estranha
perceber outro a me pensar.

Convidar o céu a transbordar os olhos,
nos quais um mergulho tornar-se-ia eterno,
onde me afogaria, respirando pela primeira vez.

Abraçar o infinito,
brincar com o descaminho
desmitificar o rito,
mesmo só, não estar sozinho.

Entoar cantos íntimos em frequência audível apenas
aos naturalmente apaixonados, às pedras e seus convivas.

Ser o vento e seu torpor,
ser a folha a se lançar,
sem lembranças, sem temor,
re-aprender a voar.

Cultivar passionalmente a intensa presença em mim
do que me falta.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

beijo luz.

O céu estava tímido,
cobria-se de nuvens tecidas com fios espessos.
Sentia-se assim protegido dos poetas e demais ladrões.
Tantas vezes fora refém de suspiros e canções,
prisioneiro de reflexos, tantas vezes serviram-se
de suas jóias para adornar meninas dos olhos e corações...

Não aconteceria mais...

... se não fosse a mais bela e - ironicamente - intensa das quatro filhas satélites.

Mas havia algo diferente dessa vez.
Não fora terrena a investida , de Lua Cheia partira o flerte .

Um vôo verde de pássaro encantara a mais recente enamorada,
alterou sua órbita , até então inabalável.

Nada mais se poderia fazer, Lua Cheia havia vencido o alvo véu.

Venceria qualquer coisa para tocá-lo ,
brilhar em suas penas ,
penas que pareciam só ter alcançado a prima cor , o tom inato,
depois daquele beijo em forma de luz.

domingo, janeiro 23, 2005

bi po lá.

O dotor dissi pra mãe comu quem achava carambola fresca:
"Bipolaridade , Flor . Bipolaridade !"
Ela balançô a cabeça,
fez ruga di qui intendeu...
mãe tem orgulhu bobo , sorti qui ele percebeu.

Seu José Mário Filisberto e Silva era isperto*,
isplicou cum paciência u que qui Vida tinha,
mas tudu qui ele falô pra ela até us pássaru já sabia.

Assim mesmu continuava sendu pra ela o cantu mais bunitu.

O pai dizia que o mundo é pequenu e grandi,
que o terminadu é o qui dura
que tem coisa feia, que é bunita
que tem mistura qui acaba pura.

Nunca dissero qui era loquice, achavam o pai até sabidu

Choro sorrido , silêncio gritadu
e a mãe implicanu com as mudança de estadu

Purque num pudia , purque qui era erradu ?
Vida é assim ora !
Os opostu juntado.


* Dotor José Mário Filisberto e Silva sempri falava baixin, paricia cuxixá quanu cunversava.
Só aumentava a vós pra dizê qui si fez dotor "Na Capital!". Dizia tê si formado "Com Louvor!"

Devi di sê alguém importanti , apesá de só tê um nome.

sábado, janeiro 22, 2005

seiva moça

Hoje arvorei com fome.
O sol foi meu desjejum.
Riou-se meu corpo a dentro aluando o espaço florbeijado,
já desacostumado à amoras e tulipas.

Estrelas fundindo-se ao flâmago,
borboletaram cócegas no vento afago.
Petalaram-me enfim a sede
já tão orvalhada de cânticos graves.

Seja bem-vinda seiva moça,
ceie-me todo e se demore.

Insaciável é a aurora
Intransponível minha ânsia é.

quarta-feira, janeiro 19, 2005

sono dilacerante

em batalha com Morfeu,
quase sempre sou derrotado


duelo em que o fio já há perpassado
antes que a culpa de qualquer pecado


brasa nos olhos
aproximando leitos, solos


entendo, ainda que tarde:
Não haverá no fim liberdade


rendo-me então, crente na aurora
que o dia trouxe de volta outrora

lírio em marte

Martírio é junção de letras que semeia o doer .
Culpa etimológica, nào alfabética.
Se acalmasse-se o pulsante e desmolhassem-se as maçãs,
avivassem-se, talvez, pétalas
de um lírio em marte.

dia desses ...

Dia desses vi de longe, um mininu curumim ,
Brincanu cum bem-te-vi que avuava bem baixin
era uns canto, uns assubio , uma purção di barulinhu,
qui elevaru aqueli indio até um daquelis ninhu.
O tempo tinha passaradu , a noite tinha caído
e o erê se perguntava como é qui tinha sido
Ao si aconchegá nas pluma sentiu chegá um perfume,
era as ninfa acompanhada de um montão di vagalume,
pisca-pisca reluzente , parecia as estrela ,
que descia lá du céu pra qui ele pudessi vê-las.
Ele intão cum um sorriso , à floresta agradeceu,
abraçô Tupã e a terra e tombô, disfaleceu .
Todos foro adormecenu, e suminu divagar
As fadinha e os vagalume, já num brilhava mais lá.
O silêncio tomô conta , tudo era lindo dimais
De repente nem o índio, lá deitado istava mais.
Num pude sabê seu nome, ele havia sumido
Mas pude ouví uma voz , sussurrá seu apelido
Nunca mais vo isquecê, foi aqui assim pertin
Pra achá aquele erê , era só gritá por Mim.