terça-feira, abril 29, 2008
terça-feira, abril 22, 2008
ruim da cabeça ou doente do pé
Não, eu não gosto muito de carnaval. E sim, sou mesmo doente do pé. Ou fui. Nasci com uma deformidade congênita que entortava meu pé esquerdo: encurtamento de tendão, especificamente o que liga o que seria meu polegar - se estivéssemos falando da mão - à minha tíbia, que é o principal osso da canela. Isso na perna esquerda. Era como se o pé doente fosse carente, e tentasse tocar o direito. Mas nem é algo tão incomum assim. Acontece bastante até, e eles já sabiam o que fazer. Fui operado quase na mesma hora com menos de um mês de vida pelo então chefe da equipe médica da seleção Brasileira, Sr. Toledo. Talvez por isso eu também não acompanhe de perto o futebol. Tenho time até, mas quando alguém que realmente se relaciona com isso está por perto, sempre me sinto um tanto mentiroso. Vai entender os caminhos desse tipo de coisa. Certa vez cheguei à...
Acabo de perceber que o verso famoso que precede o título desse post fala sobre o samba, e não sobre o carnaval. De samba eu gosto.
Desculpem-me, acabou o (mote do) texto.
Acabo de perceber que o verso famoso que precede o título desse post fala sobre o samba, e não sobre o carnaval. De samba eu gosto.
Desculpem-me, acabou o (mote do) texto.
quinta-feira, abril 17, 2008
sexta-feira, abril 11, 2008
Em meio às correspondências, num guardanapo amassado, daqueles lisos. Guardanapo de boteco:
"Minha rua está cheia de lixo. Sempre. Os hálitos e os olhares ao redor tem estado também. Com um quê de podres, o cheiro pesado, sabe? Os cães perdidos e suas moscas de ferida. Minha casa e os climas do jantar. E eu moro sozinho. Eu janto sozinho. E é disso que estou falando: as coisas continuam assumindo uma lógica quase... sei lá, um pré non-sense. É tudo bem sutil, e por isso mesmo poderoso demais, líquido demais. Não faz muito tempo que percebi. E entender esse tipo de coisa - que a vida não tem mais coerência que o sonho - não é algo assim, de estalo. Dá vertigem. Ânsia de vômito. Ás vezes vômito mesmo. Varia de acordo com cada um. Um mendigo lá da rua, quando entendeu, virou mendigo. Não que ele não fosse mendigo antes, mas acho que ali ele se encontrou, se inocentou. Agora ele esmola sorrindo. Sente fome sorrindo. Se coça sorrindo. E essa semana eu tenho topado mais com isso. Na rua, no trabalho. Na locadora perderam meu cadastro, e os 4 atendentes pra quem peço indicação de "filmes diferentes" há pelo menos uns 6 anos, simplesmente não lembram de mim, não me conhecem, os putos. Uma metáfora boa pra isso tudo: cheiro de percevejo. Aquele troço que mesmo sem matéria gruda em você - monte de concretude indefesa e inferior - que tem que se resignar, já que mesmo depois de banho, roupas de amaciante e toda a intervenção da vontade, você continuará com aquele perfume psicológico entranhado na insegurança. E tenho achado que é um momento global, sabe(?), o que me deixa um tanto claustrofóbico, eu confesso. Sabe quando o foda-se não vem? Você chama e nada. Aquele vazio irradiando a partir do estômago, vazando pelas costelas e invadindo as costas pela bacia em direção à nuca, e nada do foda-se pra te socorrer. O jornal tem chegado num saco espesso e resistente do qual não consigo tirar o nó. Meu iogurte preferido(cenoura, laranja e mel) mudou de gosto e de rótulo. Isso, aqui no Brasil. Isso, em Botafogo. E essa porra no Tibet? 'Duck Shoot Game' com os mongecos! Valia uma bombinha nuclear. Um estalinho pelo menos, só pros milicos se ligarem que não é assim que o gongo toca. Não, não falo sério. Mas quase. Ou não, não sei. Foda-se, voltemos ao meu panorama, e volto a falar só da última semana: O lugar onde eu almoçava todo dia fechou, sem aviso, sem plaquinha, nada. Meu chefe me chamou para um "papo" no qual fui informado de que minha produtividade tem sido insuficiente, embora eu deixe escorrerem meus projetos pessoais e a família que eu não tenho pra dar conta do que me cai. Um cara que bate na esposa se mudou aqui pra cima. E como cereja do bolo, ontem, a mulher da minha vida, a minha flor de laranjeira não esquecida, me disse que resolveu seguir, que fui eu quem quis assim. E logo agora que entendi que não é feio, nem risível o amor. Que resolvi ir ao maracanã pra entender mais o mundo dela - ela tá em reabilitação por conta de doses pesadíssimas de paixão pelo América. Agora que.. isso tudo aqui dentro, tem um outro cara no banco do carona dela. No domingo dela. É, leitor(a)... um momento que dá filme. Um curta pelo menos. Ou suicídio, essas coisas precipitadas que a gente faz e depois se arrepende, mas que nesse caso específico não teria chance. Não. Tem outras coisas desse pacote que são mais legais, e aí a coisa da claustrofobia ameniza - pouco. O bom de ficar na merda é que as coisas boas, por menores que sejam, ganham uma cor de milagre. Nesse momento realidade lisérgica, então. No último feriado fiz uma viagem inteira em caronas surgidas do nada, uma delas numa pick up, com direito a braço aberto e vento bom no rosto e de repente túnel de árvores floridas! Tsunami de perfume, assim, de graça! Realismo fantástico, ou fantasia realista, tanto faz. Outra: Andando pela alameda baixa semana passada, vi as 3 janelas de 3 apartamentos do mesmo 3º andar se abrirem ao mesmo tempo, e em seguida o mesmo baile de braços de senhora se escorando em cotovelos saídos e braços cruzados e olhares paralelos pra um baixo longe. Um ritmo idoso, mas que com o sol de uns 40 minutos pós 17 - adoro essa luz - eram quase o de 3 gatos, sinuosos, silhuetados e coreográficos. Gatos! Foi por isso que roubei a caneta. Hoje minha mãe trouxe o 4º gato da rua(só essa semana). Os outros 3 sumiram, sei que não é o mesmo. Mesmo! Lembra que falei sobre o pelo branco em losango nas costas, igual ao do Fred? Tem mais. Ontem a vi colocando um negócio no prato de leite. Pode ser que não, quero muito que não. Mas acho, acho mesmo, que ela está matando os gatos."
"Minha rua está cheia de lixo. Sempre. Os hálitos e os olhares ao redor tem estado também. Com um quê de podres, o cheiro pesado, sabe? Os cães perdidos e suas moscas de ferida. Minha casa e os climas do jantar. E eu moro sozinho. Eu janto sozinho. E é disso que estou falando: as coisas continuam assumindo uma lógica quase... sei lá, um pré non-sense. É tudo bem sutil, e por isso mesmo poderoso demais, líquido demais. Não faz muito tempo que percebi. E entender esse tipo de coisa - que a vida não tem mais coerência que o sonho - não é algo assim, de estalo. Dá vertigem. Ânsia de vômito. Ás vezes vômito mesmo. Varia de acordo com cada um. Um mendigo lá da rua, quando entendeu, virou mendigo. Não que ele não fosse mendigo antes, mas acho que ali ele se encontrou, se inocentou. Agora ele esmola sorrindo. Sente fome sorrindo. Se coça sorrindo. E essa semana eu tenho topado mais com isso. Na rua, no trabalho. Na locadora perderam meu cadastro, e os 4 atendentes pra quem peço indicação de "filmes diferentes" há pelo menos uns 6 anos, simplesmente não lembram de mim, não me conhecem, os putos. Uma metáfora boa pra isso tudo: cheiro de percevejo. Aquele troço que mesmo sem matéria gruda em você - monte de concretude indefesa e inferior - que tem que se resignar, já que mesmo depois de banho, roupas de amaciante e toda a intervenção da vontade, você continuará com aquele perfume psicológico entranhado na insegurança. E tenho achado que é um momento global, sabe(?), o que me deixa um tanto claustrofóbico, eu confesso. Sabe quando o foda-se não vem? Você chama e nada. Aquele vazio irradiando a partir do estômago, vazando pelas costelas e invadindo as costas pela bacia em direção à nuca, e nada do foda-se pra te socorrer. O jornal tem chegado num saco espesso e resistente do qual não consigo tirar o nó. Meu iogurte preferido(cenoura, laranja e mel) mudou de gosto e de rótulo. Isso, aqui no Brasil. Isso, em Botafogo. E essa porra no Tibet? 'Duck Shoot Game' com os mongecos! Valia uma bombinha nuclear. Um estalinho pelo menos, só pros milicos se ligarem que não é assim que o gongo toca. Não, não falo sério. Mas quase. Ou não, não sei. Foda-se, voltemos ao meu panorama, e volto a falar só da última semana: O lugar onde eu almoçava todo dia fechou, sem aviso, sem plaquinha, nada. Meu chefe me chamou para um "papo" no qual fui informado de que minha produtividade tem sido insuficiente, embora eu deixe escorrerem meus projetos pessoais e a família que eu não tenho pra dar conta do que me cai. Um cara que bate na esposa se mudou aqui pra cima. E como cereja do bolo, ontem, a mulher da minha vida, a minha flor de laranjeira não esquecida, me disse que resolveu seguir, que fui eu quem quis assim. E logo agora que entendi que não é feio, nem risível o amor. Que resolvi ir ao maracanã pra entender mais o mundo dela - ela tá em reabilitação por conta de doses pesadíssimas de paixão pelo América. Agora que.. isso tudo aqui dentro, tem um outro cara no banco do carona dela. No domingo dela. É, leitor(a)... um momento que dá filme. Um curta pelo menos. Ou suicídio, essas coisas precipitadas que a gente faz e depois se arrepende, mas que nesse caso específico não teria chance. Não. Tem outras coisas desse pacote que são mais legais, e aí a coisa da claustrofobia ameniza - pouco. O bom de ficar na merda é que as coisas boas, por menores que sejam, ganham uma cor de milagre. Nesse momento realidade lisérgica, então. No último feriado fiz uma viagem inteira em caronas surgidas do nada, uma delas numa pick up, com direito a braço aberto e vento bom no rosto e de repente túnel de árvores floridas! Tsunami de perfume, assim, de graça! Realismo fantástico, ou fantasia realista, tanto faz. Outra: Andando pela alameda baixa semana passada, vi as 3 janelas de 3 apartamentos do mesmo 3º andar se abrirem ao mesmo tempo, e em seguida o mesmo baile de braços de senhora se escorando em cotovelos saídos e braços cruzados e olhares paralelos pra um baixo longe. Um ritmo idoso, mas que com o sol de uns 40 minutos pós 17 - adoro essa luz - eram quase o de 3 gatos, sinuosos, silhuetados e coreográficos. Gatos! Foi por isso que roubei a caneta. Hoje minha mãe trouxe o 4º gato da rua(só essa semana). Os outros 3 sumiram, sei que não é o mesmo. Mesmo! Lembra que falei sobre o pelo branco em losango nas costas, igual ao do Fred? Tem mais. Ontem a vi colocando um negócio no prato de leite. Pode ser que não, quero muito que não. Mas acho, acho mesmo, que ela está matando os gatos."
quarta-feira, abril 02, 2008
Badala a redenção. Nos ponteiros da Central as fatídicas 3 meias-dúzias se transbordam enfim. Os seis acenos do cuco francês, antigo e grave, confirmam a alforria no salão de costura. Não que houvesse realmente o pássaro a sair da casinhola - já velha, quebrada e sem nada que lembrasse a frança - , mas o abano de uma das asas da pequena janela de metal descolorido bastou pra que se pintasse no espaço lúdico a avezinha a grunir: liberté! liberté! Abre-se o portão, alavanca no ponto. Pronto. Em menos de um terço de hora, sem nenhuma baldeação, o par de pernas esguias e bem torneadas - ainda que nenhum outro exercício tivesse sua dedicação - iniciam a subida das teclas da velha escadaria, apenas uma das diversas que (e)levam até Santa Tereza e (e)levariam até o Largo de sua morada. Quase dor nas costas, e ainda assim assobio. Pré-canto, só enquanto essas senhoras estão perto, e então voz. 'Ainda é cedo Amor...'. Muitas e muitas chaves e só uma se esconde. Gradil verde. Quase em casa. Na bolsa grande um pique-esconde sem graça de chaveiro e mãos suadas. Boleto, batom, bombom. Óculos, cigarro, cartão. Barulho de chaves. Chaves... Palpitação e até o perfume de colônia verde através do som-chaveiro. Sua foto em mim, violenta como um tapa bem no meio do rosto do meu sossego. E de repente eu tenho estômago. Vazio. Estômago vazio e esticado estalando em minha nuca, pulsando aquele nada em tudo, logo agora. Com essa luz fraca de ladeira e esse vento frio entrando por gola e mangas. Com esse cheiro que parece jaboticaba, mas que é crisântemo -você dizia.
segunda-feira, março 31, 2008
(...)
- você não fuma. pára com isso.
- (pegando o cigarro) com o quê?
- com isso. olha pra mim, fala comigo. no meu olho. você tá me machucando. que ar é esse, que cigarro é esse?
- por favor, não vamos falar de machucar o outro, ok? e você não me conhece tão bem quanto pensa. agora eu fumo também.
- porque?
- por que sim. não tem por quê. nem tudo tem por quê.
- não, por quê você não tá olhando pra mim? olha pra mim, merda!
(continua)
- você não fuma. pára com isso.
- (pegando o cigarro) com o quê?
- com isso. olha pra mim, fala comigo. no meu olho. você tá me machucando. que ar é esse, que cigarro é esse?
- por favor, não vamos falar de machucar o outro, ok? e você não me conhece tão bem quanto pensa. agora eu fumo também.
- porque?
- por que sim. não tem por quê. nem tudo tem por quê.
- não, por quê você não tá olhando pra mim? olha pra mim, merda!
(continua)
terça-feira, março 18, 2008
ontem no metrô um senhor grisalho me encantou.
uma boina cinza clara, óculos sem cabo daqueles que - não sei bem como - ficam presos ao nariz, paletó marrom escuro e uma calça xadrez com tons de verde. ele lia um jornal que segurava apenas com sua mão esquerda. a outra mão estava sobre o fichário rosa de uma menina de cachos castanhos e uniforme. ela pintava as unhas do avô(imaginei) com canetinhas coloridas. ele fazia malabarismos entre aquelas notícias empilhadas e folhas tremendas, usava o queixo pra virá-las, o nariz, tudo pra não interromper a pequena manicure. não tirei os olhos daquela família perfeita durante 7 estações. uma lágrima borbulhava tímida e um sorriso irradiava um algo quente a partir do meu peito. era um pequeno milagre, um êxtase fraterno do qual eu tinha ouvido falar mas não tinha aprendido ainda. o senhor me olhou de repente, me encarou 6 segundos, sério. eu sorri. mas ele não. lembrei de quando tinha 7 anos. era aniversário da minha mãe. tentando uma surpresa resolvi levar café na cama pra ela e derrubei a bandeja na entrada do quarto. não só quebrei parte da louça que ela mais gostava como provoquei com o susto um pico de ansiedade que a fez ir pro hospital com crise asmática. cacos aos pés. em um segundo ele já não lia o jornal, mas a menina ainda tingia suas unhas. quis preservar aquilo. desci 2 estações antes e peguei o carro seguinte. pensei em ser pai.
sexta-feira, março 14, 2008
"algo hoje se abre. começa a suavizar/
brecha pro que não cabe /que não se sabe /fazer-se ar"
Escrevi com o batom quebrado no papel seda, quase molhado. Foi ler o que acabava de borrar úmido ali e correr em tropeços pr'aquele cômodo apertado, meu coração.
- não repare, é meu coração.
- sim, sou você. é meu também.
Caí na entrada, mas me dei a mão e levantei, quase rápido. Abrimos a porta que rangeu e resistiu de início, mas orgulhosa, tentou evitar que eu percebesse soltando-se logo depois. E o fresco jorrou. Verde, azul, vermelho, liquidamente sopro, em todas as direções e vindo de cada fresta. Toda a estrutura estremeceu estaticamente, como reverbe de grave por dentro. Harmônico, ácido e ainda assim sutil, um doído cicatrização que arde em cura.
- tá tudo bem. calma, é só cor. isso.
Deitei o rosto sobre o meu e senti o contorno gelado. Mas gelado gostoso, como um que não carrega os tons de cinza da palavra 'gelado'. Gelado como travesseiro quando o viramos e o verso se oferece lírico, acalento, sabe? Olhei em torno: fotos, tantos bilhetes, e cartões, e pequenos presentes, e papéis dobrados. Marcados. Cravados na pele, na parede memória, transbordando as primeiras gavetas. As primeiras! Expostos, como a fratura. Bem à vista do esquecimento.
- é pra que ele não se seja.
- psshh! eu sei.
E sabia. Mas, não sei... não queria.
E ele lá(o fresco), restaurando a mobília. Tão dentro que um sempre, um todo.
E era aquilo. Empilhei meus livros mais altivos, e tudo que estava nas paredes partilhadas partidas, mal resolvidas. Sobre aquelas 2 vidas de altura da torre que ergui, um frágil e sincero equilíbrio precário. Ok. Respirei fundo, estiquei os braços, as mãos, o corpo, os dedos do pé em ponta, até a franja de uma das nuvens de meio de céu que por ali estava e que eu já quase tocava. Toquei. Me pendurei e subi. Pude me ver indo, e indo. Indo até sumir ao longe.
Acenei pra mim, dali mesmo. Mas não olhei pra trás, não vi o aceno, talvez tenha-o sentido brisa, uma que na hora passava e resolveu me dar moldura.
De repente, outro dia ainda no mesmo. Acordei Nutella. Não, gaivota de papel.
Talvez seja mais um espreguiçar. Isso, acordei um espreguiçar
- que é quando a gente é ontem por 3 minutos, mas como quem se aprende e se esforça pra lembrar, logo depois se rasga em hoje.
brecha pro que não cabe /que não se sabe /fazer-se ar"
Escrevi com o batom quebrado no papel seda, quase molhado. Foi ler o que acabava de borrar úmido ali e correr em tropeços pr'aquele cômodo apertado, meu coração.
- não repare, é meu coração.
- sim, sou você. é meu também.
Caí na entrada, mas me dei a mão e levantei, quase rápido. Abrimos a porta que rangeu e resistiu de início, mas orgulhosa, tentou evitar que eu percebesse soltando-se logo depois. E o fresco jorrou. Verde, azul, vermelho, liquidamente sopro, em todas as direções e vindo de cada fresta. Toda a estrutura estremeceu estaticamente, como reverbe de grave por dentro. Harmônico, ácido e ainda assim sutil, um doído cicatrização que arde em cura.
- tá tudo bem. calma, é só cor. isso.
Deitei o rosto sobre o meu e senti o contorno gelado. Mas gelado gostoso, como um que não carrega os tons de cinza da palavra 'gelado'. Gelado como travesseiro quando o viramos e o verso se oferece lírico, acalento, sabe? Olhei em torno: fotos, tantos bilhetes, e cartões, e pequenos presentes, e papéis dobrados. Marcados. Cravados na pele, na parede memória, transbordando as primeiras gavetas. As primeiras! Expostos, como a fratura. Bem à vista do esquecimento.
- é pra que ele não se seja.
- psshh! eu sei.
E sabia. Mas, não sei... não queria.
E ele lá(o fresco), restaurando a mobília. Tão dentro que um sempre, um todo.
E era aquilo. Empilhei meus livros mais altivos, e tudo que estava nas paredes partilhadas partidas, mal resolvidas. Sobre aquelas 2 vidas de altura da torre que ergui, um frágil e sincero equilíbrio precário. Ok. Respirei fundo, estiquei os braços, as mãos, o corpo, os dedos do pé em ponta, até a franja de uma das nuvens de meio de céu que por ali estava e que eu já quase tocava. Toquei. Me pendurei e subi. Pude me ver indo, e indo. Indo até sumir ao longe.
Acenei pra mim, dali mesmo. Mas não olhei pra trás, não vi o aceno, talvez tenha-o sentido brisa, uma que na hora passava e resolveu me dar moldura.
De repente, outro dia ainda no mesmo. Acordei Nutella. Não, gaivota de papel.
Talvez seja mais um espreguiçar. Isso, acordei um espreguiçar
- que é quando a gente é ontem por 3 minutos, mas como quem se aprende e se esforça pra lembrar, logo depois se rasga em hoje.
sexta-feira, março 07, 2008
!
OS AFRO-SAMBAS DE BADEN E VINÍCIUS.
OS AFRO-SAMBAS DE BADEN E VINÍCIUS.
OS AFRO-SAMBAS DE BADEN E VINÍCIUS.
OS AFRO-SAMBAS DE BADEN E VINÍCIUS.
OS AFRO-SAMBAS DE BADEN E VINÍCIUS.
segunda-feira, março 03, 2008
pré-musica 2ª
não
não chora assim
não é você
olha pra mim
agora é dor
mas vai mudar
agora é dor
há de passar
então vai, então tá
vai voar
és meu amor
não fala assim
quem sabe quando é mesmo o fim?
tem nada não,
não foi em vão,
vá se encontrar
abro mão
peito
cordão
armário, gavetas, portão
os olhos, as portas, as horas, as horas, as horas,
as sobras, porão
deixa
o vento vir
pois se já foi o que há de ir
e o que está, o que ficar
é o de contar
é te guardar
deixa
o tempo vir
que o que é de ter
não vai morrer
não vai sumir, não vai
sumir, não vai
sumir, não vai
mentir, não vai
e é preciso seguir
não chora assim
não é você
olha pra mim
agora é dor
mas vai mudar
agora é dor
há de passar
então vai, então tá
vai voar
és meu amor
não fala assim
quem sabe quando é mesmo o fim?
tem nada não,
não foi em vão,
vá se encontrar
abro mão
peito
cordão
armário, gavetas, portão
os olhos, as portas, as horas, as horas, as horas,
as sobras, porão
deixa
o vento vir
pois se já foi o que há de ir
e o que está, o que ficar
é o de contar
é te guardar
deixa
o tempo vir
que o que é de ter
não vai morrer
não vai sumir, não vai
sumir, não vai
sumir, não vai
mentir, não vai
e é preciso seguir
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
- está tudo tão ... diferente.
- é. engraçado.
- não acho tanto.
- eu também não. você sabe.
- de onde ?
- de onde o quê? olha pra mim.
- de onde vem?
- de dentro, acho.
(silêncio de quase 46 segundos) o que você acha que mudou mais?
- os silêncios. já escrevi sobre eles sendo coisa boa, lembra?
- não. me passa o cigarro
(continua)
- é. engraçado.
- não acho tanto.
- eu também não. você sabe.
- de onde ?
- de onde o quê? olha pra mim.
- de onde vem?
- de dentro, acho.
(silêncio de quase 46 segundos) o que você acha que mudou mais?
- os silêncios. já escrevi sobre eles sendo coisa boa, lembra?
- não. me passa o cigarro
(continua)
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
não sou aquela que você criou. uma eu menos forte, mais flácida e infantil te espera aqui. mas tua, completamente tua, desde que entraste em minhas madrugadas com tua barba e colônia. não, eu não leio tuas entrelinhas. sim, me escapam teus duo-sentidos, teus suspiros, mesmo que as vezes antecipe teu tabaco, teu café, teu cafuné. nem sou fatal, era só mistura de uma fenda de vestido e cosmopolitans do Atlântico. isso é de escorpião. pois bem, se não tem nada nesse retrato que te chame, que te inflame: c'est la vie. não tente. se não é, não invente. tem que ser essa, a tua fome, teu paladar. porque é nesse retrato que eu me pinto íntima. é dele o meu reflexo mais presente. insegura, bipolar, míope, entediante aos domingos e muito ácida nas 3 primeiras horas do dia, mas... entregue. resignada e entregue ao amor. sou também essa que quase gosta do gosto desarrumado dos teus dias sem volta, de tuas noites sem nota. essa que não quer te salvar de ti, nem a si mesma. tu morrerias de qualquer maneira. e eu também. aceito esse furo no peito, e olha, coloco nele um sorriso, e algumas flores. são narcisos, você gosta? um dia serão rosas. me agradará o salgado de uma lágrima outra, mais macia. me afagará tê-lo sem ter, pra tê-lo todo. já me excita domar-me a dor. viu? sou filme, sou close. e graças à ti, jorra meu blog. você me rasga, mas agora posso olhar lá dentro. agora vai. não fala nada. limpa esse batom, e vai.
segunda-feira, janeiro 21, 2008
atrasado
até então, nada era cor. não tinha arco-íris, nem varanda. tinha peão, e pique, mas sem as risadas, e os estalos de pé corrido no chão. tinha corda, e feriado. mas era mudo. como filme antigo, sem os ecos de passarinho e sem grito do moço do algodão doce no portão. antes daquela esquina de boca, do perfume de apagar cigarro, não tinha domingo. tinha o dia. mas não o fresco, nem o assobio. e então, na dança de narizes, a pele de água. e de repente tudo, e mais. e nós. tão paladar. tão rolar de ribanceira em grama boa, tão fruta. e isso, que não se sabe som. banho de doce, de mão morna no rosto. fogo no forro de si. tão fogo e tão forro, que meu. tão meu e dela, tão nosso, que dor. dor demais. não deu.
pedi pro vento outra chance, outro alcance. outro eu.
um que não chegue atrasado. um seu.
pedi pro vento outra chance, outro alcance. outro eu.
um que não chegue atrasado. um seu.
quinta-feira, janeiro 17, 2008
pré-música 1ª
de tanto tato
e cheiro
e gosto de flor,
me afoguei
suspiros
e ontens
não quis nadar,
não quis nada
pulei
no reflexo d'água borrão
colorido, bonito
deixei
ê sereia
de asa
da mata
e cheiro
e gosto de flor,
me afoguei
suspiros
e ontens
não quis nadar,
não quis nada
pulei
no reflexo d'água borrão
colorido, bonito
deixei
ê sereia
de asa
da mata
toma esta garrafa
bebe a carta
fui eu quem mandou
me levar (te letrar)
me leva
pro mar que chorei
que jorrei
fui eu quem mandou
me levar (te letrar)
me leva
pro mar que chorei
que jorrei
me valei
se faz lei
se chegar
se faz lei
se chegar
eu cheguei
terça-feira, dezembro 11, 2007
do osso torto do peito
eaqueleestrondoúmidoagudoescritoàspressasnotaltecladosemacentos
se mbatoms emcaminh o
re verb erou u
do ossotorto dopeito até a3ª vértebra lombar. minha L3.
cismado d azia sísmica e verbal ainda fresca, gof o vermelho tonteado
mas me cansei. não gosto de tv. fui à praia.
se mbatoms emcaminh o
re verb erou u
do ossotorto dopeito até a3ª vértebra lombar. minha L3.
cismado d azia sísmica e verbal ainda fresca, gof o vermelho tonteado
mas me cansei. não gosto de tv. fui à praia.
segunda-feira, outubro 08, 2007
oquenãocabe - fragmento 1
esse eu à deriva em mim
tem rosto efêmero
tem rosto efêmero
e bússola quebrada
tem lacunas (que suspiram sempre)
e manias de silêncio
nesse eu à deriva em mim
sobra sangue
mas falta corpo
sobra sangue
mas falta corpo
e a cada rasgo
na carne pouca
essas sobras
essas sobras
essas sobras
essas sobras
essas sobras
essas sobras
essas sobras
terça-feira, novembro 14, 2006
tonteira
eu que de mim já não sei
e cego tateio
e teorizo
que me mato, me bato, debato
farto da falta, da chuva,
do ciso
eu que me pulo
eu muro
me procuro no murro em faca de ponta
pauso na estante
pouso um instante
e ainda não cessa
essa dança tonta
e cego tateio
e teorizo
que me mato, me bato, debato
farto da falta, da chuva,
do ciso
eu que me pulo
eu muro
me procuro no murro em faca de ponta
pauso na estante
pouso um instante
e ainda não cessa
essa dança tonta
sexta-feira, novembro 10, 2006
calendário (ou, caleidoscópio).
C'um copo d'ópio dopo
Calo dois corpos voz
Cá: lendária cópia
Lá: mente atroz
Calo dois corpos voz
Cá: lendária cópia
Lá: mente atroz
quarta-feira, agosto 09, 2006
segunda-feira, julho 17, 2006
reflexão
leva isso,
......................leve ..................................longe
onde nada pareça quase
meio antes
qual sem fim
......................leve ..................................longe
onde nada pareça quase
meio antes
qual sem fim
segunda-feira, junho 05, 2006
terça-feira, maio 30, 2006
segunda-feira, maio 22, 2006
anti
A três passos do nada, o tempo é ultrapassado.
sua idade, o calendário, aquelas fotos...
todos os seus “se...”,
seu contorno,
a correta conduta e o equívoco,
o motivo ... palhaçada.
Toda essa precaução paralizante
revela-se frágil.
aqui
exerce-se o gerúndio e seu trampolim.
Tudo outro vale quinquilharia, apenas faixas de isolamento.
sim, a dois passos do nada, as mentiras sinceras, o “não sei”, Nietzsche e principalmente a contradição, são inocentados
mais,
são desejados,
e desmentem a memória opaca, o histórico.
Não só perdem o ranço desagradável como pintam de lacunas as paredes e o teto, e pintariam também o chão, se houvesse.
Nesse quadro, as verdades, ficam antes da porta.
Os lamentos, antes ainda, no mesmo cômodo 3x4 onde martelam-se as bússolas.
De nada servem suas marcas de expressão, a moral herdada, ou esse texto.
Ele também é julgo,
e aqui, a um passo do nada, calaria ainda dentro do olho, cegaria a lâmina língua.
Toda a árdua experiência acumulada
gargalha de si,
sabe-se idiota.
é justamente aí que o nada se revela,
abraçando
a totalidade
da extensão
desse corpo
ridiculamente
maravilhoso
na prima-fonte, pode-se ver as rugas sumindo,
o rubor saudabilíssimo,
a pele esticar,
esgarçar,
rasgar-se em luz
e potência
agora,
é-se demais pra um corpo
sua idade, o calendário, aquelas fotos...
todos os seus “se...”,
seu contorno,
a correta conduta e o equívoco,
o motivo ... palhaçada.
Toda essa precaução paralizante
revela-se frágil.
aqui
exerce-se o gerúndio e seu trampolim.
Tudo outro vale quinquilharia, apenas faixas de isolamento.
sim, a dois passos do nada, as mentiras sinceras, o “não sei”, Nietzsche e principalmente a contradição, são inocentados
mais,
são desejados,
e desmentem a memória opaca, o histórico.
Não só perdem o ranço desagradável como pintam de lacunas as paredes e o teto, e pintariam também o chão, se houvesse.
Nesse quadro, as verdades, ficam antes da porta.
Os lamentos, antes ainda, no mesmo cômodo 3x4 onde martelam-se as bússolas.
De nada servem suas marcas de expressão, a moral herdada, ou esse texto.
Ele também é julgo,
e aqui, a um passo do nada, calaria ainda dentro do olho, cegaria a lâmina língua.
Toda a árdua experiência acumulada
gargalha de si,
sabe-se idiota.
é justamente aí que o nada se revela,
abraçando
a totalidade
da extensão
desse corpo
ridiculamente
maravilhoso
na prima-fonte, pode-se ver as rugas sumindo,
o rubor saudabilíssimo,
a pele esticar,
esgarçar,
rasgar-se em luz
e potência
agora,
é-se demais pra um corpo
terça-feira, maio 16, 2006
terça-feira, abril 11, 2006
pré-manhã
teto parede
armário
porta
travesseiro
saliva
janela
parede
relógio
suspiro
coberta chão
gelado
maçaneta tapete
torneira
água.
armário
porta
travesseiro
saliva
janela
parede
relógio
suspiro
coberta chão
gelado
maçaneta tapete
torneira
água.
quarta-feira, abril 05, 2006
pouso.
a garça pousou no tronco
e o ronco da serra cessou
o silêncio abriu o acesso
para a ave que a sombra criou
e o ronco da serra cessou
o silêncio abriu o acesso
para a ave que a sombra criou
terça-feira, abril 04, 2006
sobressalto.
minha nau não navega a vento
o que sopra é o que sobra de tudo
sobre o salto pro fundo de mim
fala um mundo que jazia mudo
o que sopra é o que sobra de tudo
sobre o salto pro fundo de mim
fala um mundo que jazia mudo
matura.
me folheei, e não há resposta
não achei índice, nem manuais
quebrei, e o grito não cala
e nem o espanto nos cabe mais
não achei índice, nem manuais
quebrei, e o grito não cala
e nem o espanto nos cabe mais
domingo, março 12, 2006
segunda-feira, agosto 01, 2005
ego gruta em mim.
me rasga uma gana de pano.
o vício por an-seio lacúnico germinou-me logo cedo semi-ações e quase-coisas.
vesti-me de bem-aventurança oca, asteei bandeira de trapo, assisti meu orgulho ventear alturas...
numa tarde, ouvi o espelho rir. era o inverno batendo à porta.
num feixe,meus pássaros cruzaram o quarto calados e partiram pela janela fechada.
Antes da travessia, um último presente: abandonaram voz em minha garganta.
eu,
que há muito havia amordaçado qualquer gula pessoal
eu,
que tantas vezes milagrei saciando olhos coroados com bússola de mim
eu,
como que num tiro, fui fonado pelo desvirgínio:
um Urro - desses semeados desde murmúrio - espreguiçou, caminhou até uma extremidade de mim folegando e explodiu !
cataclisma , imensar de horizonte, fibrilar de terra firme.
descárcere !
dói-me essa chave sonora
agora, em frequência luz, furta-me os olhos ainda embebidos
em fotofobia e os dá de presente ao chão
lágrima:
o início do sincerar da égruta em mim.
quinta-feira, julho 28, 2005
quarta-feira, março 02, 2005
visita matinal
Um sorriso tateou-me logo cedo, talvez seguindo pétalas de um rastro de sonho. desencontraram-se. na boca, o berço-lábio, instalado bem no meio da minha cara. dois ou três segundos... palavra. sonâmbula. sussurrada. e sua. afinal é da musa o que ela inspira:
"polegares entrelaçados alando a retina acostumada. asas-mãos espreguiçando a distância, essa métrica comprida , doída" - eu falei.
"ahn?" - você diria.
Como, ahn?!? não te reconheces? é o dedilhar de tuas linhas, contornos! música original e virgem de teu instrumento! ouve:
"riarei até o céu as notas perfeitamente descompassadas deste duo cardíaco,
nascente, cresceNTE. retrilharei em mãos e boca o caminho da pena inspirada"
Ah, minha vertigem branca... proesia nada petita embargar nuvens lúdicas em domingo aberto! é você o sonho! você!
volta sempre, viu?
que meu sorriso, eu quero esse.
"polegares entrelaçados alando a retina acostumada. asas-mãos espreguiçando a distância, essa métrica comprida , doída" - eu falei.
"ahn?" - você diria.
Como, ahn?!? não te reconheces? é o dedilhar de tuas linhas, contornos! música original e virgem de teu instrumento! ouve:
"riarei até o céu as notas perfeitamente descompassadas deste duo cardíaco,
nascente, cresceNTE. retrilharei em mãos e boca o caminho da pena inspirada"
Ah, minha vertigem branca... proesia nada petita embargar nuvens lúdicas em domingo aberto! é você o sonho! você!
volta sempre, viu?
que meu sorriso, eu quero esse.
segunda-feira, fevereiro 21, 2005
flor menina
Flor Menina
das pétalas tímidas,
das maçãs que florescem rosas
rubor que hipnotiza, catarsea
eterniza
Flor Menina do abraço que amanhece
do lábio que salta o tempo
folhas imãs que abrigam, transcendem
religam
Flor Menina
do beija-flor amigo,
da madrugada primaveril
tuas pegadas norteiam o vento, acendem o céu -
paleta estrelada
Flor Menina da voz macia, da presença que acaricia
enraiza-se uma saudade, que não cessa
E quem diria ?
das pétalas tímidas,
das maçãs que florescem rosas
rubor que hipnotiza, catarsea
eterniza
Flor Menina do abraço que amanhece
do lábio que salta o tempo
folhas imãs que abrigam, transcendem
religam
Flor Menina
do beija-flor amigo,
da madrugada primaveril
tuas pegadas norteiam o vento, acendem o céu -
paleta estrelada
Flor Menina da voz macia, da presença que acaricia
enraiza-se uma saudade, que não cessa
E quem diria ?
sábado, fevereiro 12, 2005
ah ... o céu
As estrelas me transbordam,
me absurda a lua nua,
pôr-do-dol me entorpece,
a aurora me flutua.
Arco-Íris - raro instante!
banho-chuva religia
sob o ceú sou um infante
a brincar e ver magia
me absurda a lua nua,
pôr-do-dol me entorpece,
a aurora me flutua.
Arco-Íris - raro instante!
banho-chuva religia
sob o ceú sou um infante
a brincar e ver magia
quarta-feira, fevereiro 09, 2005
frio na barriga
ah !
... elas ainda vivem ! !
apesar de tudo, de tudo ...
lá estão as borboletas !
e suas asas continuam a deslocar o vento ...
aquele ...
esse, esse !
encanta-te flauna , extasia-nos
cada infimo fio continua a se arrepiar e embeber-se em boa e perfumada dose de hesitação
tolo solo ...
mortas estavam as sementes.
(inapropriadas talvez)
... elas ainda vivem ! !
apesar de tudo, de tudo ...
lá estão as borboletas !
e suas asas continuam a deslocar o vento ...
aquele ...
esse, esse !
encanta-te flauna , extasia-nos
cada infimo fio continua a se arrepiar e embeber-se em boa e perfumada dose de hesitação
tolo solo ...
mortas estavam as sementes.
(inapropriadas talvez)
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
almejo
Reencontrar quem nunca vi
re-habitar novo lugar
Ouvir-me em voz estranha
perceber outro a me pensar.
Convidar o céu a transbordar os olhos,
nos quais um mergulho tornar-se-ia eterno,
onde me afogaria, respirando pela primeira vez.
Abraçar o infinito,
brincar com o descaminho
desmitificar o rito,
mesmo só, não estar sozinho.
Entoar cantos íntimos em frequência audível apenas
aos naturalmente apaixonados, às pedras e seus convivas.
Ser o vento e seu torpor,
ser a folha a se lançar,
sem lembranças, sem temor,
re-aprender a voar.
Cultivar passionalmente a intensa presença em mim
do que me falta.
re-habitar novo lugar
Ouvir-me em voz estranha
perceber outro a me pensar.
Convidar o céu a transbordar os olhos,
nos quais um mergulho tornar-se-ia eterno,
onde me afogaria, respirando pela primeira vez.
Abraçar o infinito,
brincar com o descaminho
desmitificar o rito,
mesmo só, não estar sozinho.
Entoar cantos íntimos em frequência audível apenas
aos naturalmente apaixonados, às pedras e seus convivas.
Ser o vento e seu torpor,
ser a folha a se lançar,
sem lembranças, sem temor,
re-aprender a voar.
Cultivar passionalmente a intensa presença em mim
do que me falta.
segunda-feira, janeiro 24, 2005
beijo luz.
O céu estava tímido,
cobria-se de nuvens tecidas com fios espessos.
Sentia-se assim protegido dos poetas e demais ladrões.
Tantas vezes fora refém de suspiros e canções,
prisioneiro de reflexos, tantas vezes serviram-se
de suas jóias para adornar meninas dos olhos e corações...
Não aconteceria mais...
... se não fosse a mais bela e - ironicamente - intensa das quatro filhas satélites.
Mas havia algo diferente dessa vez.
Não fora terrena a investida , de Lua Cheia partira o flerte .
Um vôo verde de pássaro encantara a mais recente enamorada,
alterou sua órbita , até então inabalável.
Nada mais se poderia fazer, Lua Cheia havia vencido o alvo véu.
Venceria qualquer coisa para tocá-lo ,
brilhar em suas penas ,
penas que pareciam só ter alcançado a prima cor , o tom inato,
depois daquele beijo em forma de luz.
cobria-se de nuvens tecidas com fios espessos.
Sentia-se assim protegido dos poetas e demais ladrões.
Tantas vezes fora refém de suspiros e canções,
prisioneiro de reflexos, tantas vezes serviram-se
de suas jóias para adornar meninas dos olhos e corações...
Não aconteceria mais...
... se não fosse a mais bela e - ironicamente - intensa das quatro filhas satélites.
Mas havia algo diferente dessa vez.
Não fora terrena a investida , de Lua Cheia partira o flerte .
Um vôo verde de pássaro encantara a mais recente enamorada,
alterou sua órbita , até então inabalável.
Nada mais se poderia fazer, Lua Cheia havia vencido o alvo véu.
Venceria qualquer coisa para tocá-lo ,
brilhar em suas penas ,
penas que pareciam só ter alcançado a prima cor , o tom inato,
depois daquele beijo em forma de luz.
domingo, janeiro 23, 2005
bi po lá.
O dotor dissi pra mãe comu quem achava carambola fresca:
"Bipolaridade , Flor . Bipolaridade !"
Ela balançô a cabeça,
fez ruga di qui intendeu...
mãe tem orgulhu bobo , sorti qui ele percebeu.
Seu José Mário Filisberto e Silva era isperto*,
isplicou cum paciência u que qui Vida tinha,
mas tudu qui ele falô pra ela até us pássaru já sabia.
Assim mesmu continuava sendu pra ela o cantu mais bunitu.
O pai dizia que o mundo é pequenu e grandi,
que o terminadu é o qui dura
que tem coisa feia, que é bunita
que tem mistura qui acaba pura.
Nunca dissero qui era loquice, achavam o pai até sabidu
Choro sorrido , silêncio gritadu
e a mãe implicanu com as mudança de estadu
Purque num pudia , purque qui era erradu ?
Vida é assim ora !
Os opostu juntado.
* Dotor José Mário Filisberto e Silva sempri falava baixin, paricia cuxixá quanu cunversava.
Só aumentava a vós pra dizê qui si fez dotor "Na Capital!". Dizia tê si formado "Com Louvor!"
Devi di sê alguém importanti , apesá de só tê um nome.
"Bipolaridade , Flor . Bipolaridade !"
Ela balançô a cabeça,
fez ruga di qui intendeu...
mãe tem orgulhu bobo , sorti qui ele percebeu.
Seu José Mário Filisberto e Silva era isperto*,
isplicou cum paciência u que qui Vida tinha,
mas tudu qui ele falô pra ela até us pássaru já sabia.
Assim mesmu continuava sendu pra ela o cantu mais bunitu.
O pai dizia que o mundo é pequenu e grandi,
que o terminadu é o qui dura
que tem coisa feia, que é bunita
que tem mistura qui acaba pura.
Nunca dissero qui era loquice, achavam o pai até sabidu
Choro sorrido , silêncio gritadu
e a mãe implicanu com as mudança de estadu
Purque num pudia , purque qui era erradu ?
Vida é assim ora !
Os opostu juntado.
* Dotor José Mário Filisberto e Silva sempri falava baixin, paricia cuxixá quanu cunversava.
Só aumentava a vós pra dizê qui si fez dotor "Na Capital!". Dizia tê si formado "Com Louvor!"
Devi di sê alguém importanti , apesá de só tê um nome.
sábado, janeiro 22, 2005
seiva moça
Hoje arvorei com fome.
O sol foi meu desjejum.
Riou-se meu corpo a dentro aluando o espaço florbeijado,
já desacostumado à amoras e tulipas.
Estrelas fundindo-se ao flâmago,
borboletaram cócegas no vento afago.
Petalaram-me enfim a sede
já tão orvalhada de cânticos graves.
Seja bem-vinda seiva moça,
ceie-me todo e se demore.
Insaciável é a aurora
Intransponível minha ânsia é.
O sol foi meu desjejum.
Riou-se meu corpo a dentro aluando o espaço florbeijado,
já desacostumado à amoras e tulipas.
Estrelas fundindo-se ao flâmago,
borboletaram cócegas no vento afago.
Petalaram-me enfim a sede
já tão orvalhada de cânticos graves.
Seja bem-vinda seiva moça,
ceie-me todo e se demore.
Insaciável é a aurora
Intransponível minha ânsia é.
quarta-feira, janeiro 19, 2005
sono dilacerante
em batalha com Morfeu,
quase sempre sou derrotado
duelo em que o fio já há perpassado
antes que a culpa de qualquer pecado
brasa nos olhos
aproximando leitos, solos
entendo, ainda que tarde:
Não haverá no fim liberdade
rendo-me então, crente na aurora
que o dia trouxe de volta outrora
quase sempre sou derrotado
duelo em que o fio já há perpassado
antes que a culpa de qualquer pecado
brasa nos olhos
aproximando leitos, solos
entendo, ainda que tarde:
Não haverá no fim liberdade
rendo-me então, crente na aurora
que o dia trouxe de volta outrora
lírio em marte
Martírio é junção de letras que semeia o doer .
Culpa etimológica, nào alfabética.
Se acalmasse-se o pulsante e desmolhassem-se as maçãs,
avivassem-se, talvez, pétalas
de um lírio em marte.
Culpa etimológica, nào alfabética.
Se acalmasse-se o pulsante e desmolhassem-se as maçãs,
avivassem-se, talvez, pétalas
de um lírio em marte.
dia desses ...
Dia desses vi de longe, um mininu curumim ,
Brincanu cum bem-te-vi que avuava bem baixin
era uns canto, uns assubio , uma purção di barulinhu,
qui elevaru aqueli indio até um daquelis ninhu.
O tempo tinha passaradu , a noite tinha caído
e o erê se perguntava como é qui tinha sido
Ao si aconchegá nas pluma sentiu chegá um perfume,
era as ninfa acompanhada de um montão di vagalume,
pisca-pisca reluzente , parecia as estrela ,
que descia lá du céu pra qui ele pudessi vê-las.
Ele intão cum um sorriso , à floresta agradeceu,
abraçô Tupã e a terra e tombô, disfaleceu .
Todos foro adormecenu, e suminu divagar
As fadinha e os vagalume, já num brilhava mais lá.
O silêncio tomô conta , tudo era lindo dimais
De repente nem o índio, lá deitado istava mais.
Num pude sabê seu nome, ele havia sumido
Mas pude ouví uma voz , sussurrá seu apelido
Nunca mais vo isquecê, foi aqui assim pertin
Pra achá aquele erê , era só gritá por Mim.
Brincanu cum bem-te-vi que avuava bem baixin
era uns canto, uns assubio , uma purção di barulinhu,
qui elevaru aqueli indio até um daquelis ninhu.
O tempo tinha passaradu , a noite tinha caído
e o erê se perguntava como é qui tinha sido
Ao si aconchegá nas pluma sentiu chegá um perfume,
era as ninfa acompanhada de um montão di vagalume,
pisca-pisca reluzente , parecia as estrela ,
que descia lá du céu pra qui ele pudessi vê-las.
Ele intão cum um sorriso , à floresta agradeceu,
abraçô Tupã e a terra e tombô, disfaleceu .
Todos foro adormecenu, e suminu divagar
As fadinha e os vagalume, já num brilhava mais lá.
O silêncio tomô conta , tudo era lindo dimais
De repente nem o índio, lá deitado istava mais.
Num pude sabê seu nome, ele havia sumido
Mas pude ouví uma voz , sussurrá seu apelido
Nunca mais vo isquecê, foi aqui assim pertin
Pra achá aquele erê , era só gritá por Mim.
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